quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Nota de rodapé


Fim do dia. Ele desliga o computador e antes mesmo que a tela negra apareça, pega sua mochila e sai. Não quer lembrar que teve um péssimo dia de trabalho e uma briga com a namorada. O caminho até a porta é o bastante para lembrar, mais feliz, que amanhã começa o feriadão, o que significa: esqueceu o guarda-chuva. Tá chovendo, saiu de casa tão sedo que não lhe ocorreu que poderia chover. "Não chore pelo leite derramado" ou "tá na chuva é pra se molhar" não são tão reconfortantes, mas é o melhor que lhe ocorreu; melhor que chingar o dito cujo que lhe deu uma cotovelada - não foi de proposito, o metrô está lotado não é? Podia ser pior, ele podia compartilhar com todos no metrô a sua playlist, como o cara do outro lado do vagão. Mas deixe a música pra lá! Se não tivesse esquecido de carregar o celular, não precisaria se preocupar com mais ninguém, ou talvez sim, tem um cara lá fora acenando: E melhor sair desse metrô, ele está com problema na elétrica, vai precisar esperar o próximo.
Pelo menos, nesse tem ar-condicionado e a trilha sonora ficou no outro carro. Um pouco mais de chuva, ok, garoa... Até que bonito, fotográfico. A luz do poste refletindo na árvore e a chuva fina. Chuva grossa. Melhor correr!
Não está tão ensopado assim, ânimo! Daqui a algumas horas, não! Daqui a algumas horas não! Já começou o feriadão!! A toalha ficou no quarto. Usar a de rosto ou molhar banheiro-corredor-quarto?
Já que está aí, vai faze o que voltando ao banheiro?
Não se veste e não enxuga o chão, está com pressa para se deitar.
Amanhã fará sol.

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